03 junho 2014

Um dia sofri violência doméstica, meu depoimento.


Há meses anseio em escrever novamente sobre a violência contra as mulheres, hoje depois de fazer umas pesquisas encontrei esta imagem e disse...basta! Tenho que me expor mais sobre este assunto que tanto me incomoda, na realidade me REVOLTA! Sei que "muitos" irão me julgar ou até mesmo me recriminar por estar me expondo, mas diante de tantas mulheres que sofrem e sofreram violência eu não posso mais me calar, devo relatar a todos o que vivi!


Alguns amigos sabem bem o que vivenciei com o pai dos meus filhos, outros me calei...eu tinha dezoito anos sai da casa dos meus pais e fui morar sozinha em uma quitinete no centro de Fortaleza, depois de uns três meses conheci o meu "príncipe encantado", ele era meu vizinho, poxa como ele era lindo, carinhoso, educado, um sonho...em questão de dias acabamos nos unindo e decidindo ir morar em Belém, no Pará, foi lá que o meu sonho se tornou um pesadelo.
Diante de algumas dificuldades o meu "companheiro" mostrou-se violento, irresponsável, dominador e inconstante, meu mundo desabou, comecei a sofrer agressões psicológicas e físicas, ele sempre dizia que eu era burra, incapaz, que não valia nada! Tentei terminar nosso relacionamento, terminei, mas uma semana depois voltei para ele, eu estava grávida da Juliana (hoje minha bonequinha tem quase 19 anos) com a notícia que eu estava grávida ele ficou eufórico, me prometeu que NUNCA mais iria me agredir e que me trataria melhor, triste ilusão essa minha, em acreditar nele, toda "lua de mel" só durou dois dias...
A gravidez da Juliana foi super conturbada, de rico, passava uma semana no hospital e outra em casa levando chutes, morros, mordidas, xingamentos e todos os tipos de humilhações. Os oito meses de gravidez, depois de um dia super agradável com o meus pais eu fui para casa, assim que cheguei em casa o "rapaz" me deu uma surra, regada a palavrões, depois me pediu desculpas e veio todo....todo cheio de "amor" para dar, como se nada tivesse ocorrido, quatro horas depois eu estava em trabalho de parto, na manhã seguinte minha pequena nasceu!
Passei um mês perfeito, lindo, encantado, pensei que com o nascimento de nossa filha ele havia amadurecido e nada do que eu vivera outrora iria experimental, triste ilusão, bastou eu perceber que ele estava tendo um caso com a filha da vizinha, para ele me puxar pelos cabelos na frente de várias pessoas, me empurrar para dentro de casa e me espancar por meia hora...assim um ano e meio depois veio o meu segundo filho, o Lucas (hoje minha "luz" tem 17 anos), a gravidez do meu menininho foi mais violenta ainda, eu sofri muito, decidi dar um basta no relacionamento, mas era "tarde" eu já estava grávida de NOVO, como pude...como ele pode fazer isso comigo de novo, sim de novo! Gente!!! Eu não podia tomar anticoncepcional, tinha gastrite, tentei o DIU, meu corpo rejeitou, pedia a ele para usar a camisinha, isso era uma afronta, ele dizia que ele só usava camisinha com as outras, comigo tinha que ser sempre assim, e se eu recusasse a ter relações sexuais com ele, era uma sessão de surra até ele cansar, assim vivi até o meu caçula ( meu pequeno e encantador Neto) completar seis meses.
Cansei, estava destruída, deprimida, um farrapo de ser humano, busquei ajuda, conversei com a minha mãe, a disse tudo que eu vivera, pedi para me tirar daquela realidade, ela falou com o meu pai, me ajudaram a reconstruir minha vida, me apoiaram, acreditaram e mim.

 Dezessete anos se passaram...
Criei meu filhos sozinha, trabalhei, estudei, li muito, acreditei em mim, nas mudanças, que poderia ser feliz, que poderia conhecer alguém que me valorizasse, amasse...Vivi a cada dia com maestria, há oito anos tenho um esposo maravilhoso, que NUNCA levantou a voz para mim, que me respeita, que juntos nos apoiamos, tenho outra vida, tudo por que um dia decidi dar um basta aquele ciclo vicioso que eu vivia, por que um dia acreditei que aquilo não era amor e sim uma doença, um mal...GRITEI...NÃO ME CONFORMEI...


Meninas não se calem, saiam desta cilada, relacionamentos assim não há amor, há tristeza, derrota, destruição, busquem ajuda, existe uma delegacia da mulher em sua cidade, onde lá encontrarão apoio!
DENUNCIEM

 
Existe vários tipos de violência contra a mulher, e nenhuma dela é aceitável, vivemos em uma sociedade moderna, na qual não é aceitável esse tipo de comportamento, afinal somos seres humanos, animais racionais, evoluímos mais do que qualquer ser neste mundo ou estou enganada?


Enquanto o ser humano continuar a agredir a sua própria espécie ele irá a cada dia regredir!
Só poderemos mudar a nossa sociedade de dermos BASTA nesta triste realidade.
Tatiana Sampaio

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