27 outubro 2013

Nova MULHER


Ela quer ser mais atraente, deseja um homem que abra a porta do carro e pague a conta do restaurante e faz o que pode para ser boa mãe e "esposa". Dá para acreditar que essas preocupações integram a lista de desafios da mulher moderna? Calma, feministas! As mulheres não decidiram voltar a ser o sexo frágil de uma hora para outra. Não ocorreu uma revolução às avessas ou coisa parecida. Elas contabilizam incríveis conquistas no campo social - e se orgulham disso. Chegaram ao topo das grandes empresas, aos postos de comando da administração pública e às cadeiras importantes das universidades. Não se pode mais falar na existência de guetos masculinos. Foram todos estourados. Também ocorreram avanços significativos no campo político. A mulher conquistou a licença-maternidade, o direito ao aborto em alguns países e leis sérias contra o assédio sexual. Agora, existe um limite claro entre a paquera e aquilo que ultrapassa o aceitável no relacionamento entre chefe e subordinada. Todos esses avanços foram obtidos graças a uma atuação sem precedentes dos lobbies feministas.
O que acontece é que as grandes transformações ocorreram no campo político e social. Mas e no campo dos temas de natureza pessoal, que independem de projetos de lei no Congresso Nacional ou de passeatas? Pode-se falar em grandes mudanças? As mulheres estão discutindo nos debates da TV o direito a não fingir orgasmo? Tem havido mobilização nas ruas pedindo mais sexo e carinho? É justamente aí, em discussões de cunho individual, que a mulher moderna trava o debate do momento. Embora os assuntos ligados à vida afetiva sejam tratados atualmente com um grau de transparência muito maior que no passado, as mulheres não chegam à fase adulta com um manual sobre como agir. Precisam encontrar as próprias respostas.
De acordo com uma pesquisa qualitativa encomendada por VEJA ao Instituto Vox Populi, a nova mulher quer relacionamentos estáveis, segurança financeira e reconhecimento profissional. De acordo com a sondagem, a brasileira dedica muita atenção à ascensão profissional, mas temas como maternidade, casamento e sexo são questões centrais em sua vida. A pesquisa foi realizada com grupos de mulheres entre 20 e 45 anos, casadas e solteiras, de variadas classes sociais, de modo a compor uma amostra significativa do público feminino no país.
Segundo o estudo do Vox Populi, a mulher está dividida entre valores modernos e tradicionais. De um lado, ela ficou mais rigorosa na escolha do parceiro e prefere a solidão a uma má companhia. Isso é novo. Só que, ao mesmo tempo que rejeita com veemência a ideia de submissão feminina, mostra a pesquisa do Vox Populi, ela cultiva valores e práticas repelidas pela geração que queimou os sutiãs e culpou os homens por tudo o que a incomodava na relação com o macho da espécie. Tome-se o caso da velha discussão sobre quem deveria pagar a conta do restaurante. Até pouco tempo atrás, vê-lo assinar o cheque seria um momento de humilhação. Agora, de acordo com a pesquisa, as mulheres acham razoável que o homem arque com a despesa - mesmo que o saldo bancário dela esteja no azul.
O ponto forte da pesquisa é o que trata da aparência, pois mostra que as mulheres decidiram admitir que se sentem bem quando os outros (homens e mulheres) passam a elogiá-las segundo atributos físicos. Na pesquisa, beleza é um valor tão sólido quanto caráter. "Um dos grandes desafios da mulher atual é ser reconhecida como competente e inteligente, mas também feminina e atraente. É uma situação nova, pois por muito tempo se atribuiu às bonitas certa futilidade e às descuidadas, uma mente privilegiada", afirma a psicóloga Magdalena Ramos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É dessa nova mulher, mais segura na vida profissional e repleta de dúvidas no campo sentimental.

Fonte: Revista Veja

Postar um comentário

Blogger templates